domingo, 6 de dezembro de 2009

opções de credito favorecem aquisições

2009, 02:48 PM
Opções de crédito favorecem aquisições, mas Belém ainda tem o 5º metro quadrado mais caro do Brasil

Seja por segurança na hora de investir ou por necessidade, o mercado imobiliário na Região Metropolitana de Belém é um segmento que está sempre em alta. A avaliação é do presidente do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) no Pará, Jaci Colares. Para Colares, mesmo com a crise econômica mundial assombrando os negócios, o mercado paraense vergou, mas não quebrou.

'Essa é uma crise de pânico. Fala-se mais do que realmente é na prática. É verdade que houve uma desaceleração no mercado de imóveis, mas também é relativo à época do ano. Historicamente, o mercado dá uma caída de dezembro a março', revelou Colares.

Segundo o presidente do Creci, a lógica de crescimento do segmento está nas muitas facilidades de crédito ofertado pelos bancos e por alguns subsídios concedidos pelo Governo Federal, sobretudo para o trabalhador de classe média. No entanto, o sonho da casa própria em Belém sai sempre muito caro.

Mesmo com a procura cada vez mais crescente por imóveis, o mercado imobiliário de Belém é cruel. Estudos do próprio Creci apontam que a capital paraense é a 5ª mais cara do país. 'Em Belém, a média do metro quadrado é de R$ 4 mil e não se justifica', criticou Jaci.

Ainda de acordo com Colares, as construtoras empurram a culpa para o preço do material de construção, que na região é sempre mais caro. 'De dois anos para cá, os preços dos apartamentos em Belém cresceram demais. Muitas empresas entraram no mercado e passaram a jogar o preço lá em cima porque reclamam do preço do material de construção. Mesmo assim, o mercado tem se mostrado firme', revelou Colares. Valendo-se também da cultura de que um imóvel nunca se desvaloriza, os corretores apontam o segmento como uma das grandes profissões atuais. 'É necessário dizer que comprar um imóvel é sempre um investimento seguro. Há uma geração que já entendeu isso e investe sempre em imóveis, com isso o mercado cresce e as ofertas se multiplicam. Acredito que neste ano o mercado crescerá ainda mais', declarou Walter de Souza, corretor de uma das grandes empresas do ramo no Pará.

Famílias de classe média compram mais

Trabalhadores de classe média com famílias nucleares formam o perfil que mais adquire imóveis no Pará. Segundo Walter de Souza, corretor de imóveis, apartamentos com 3 quartos, sendo um suíte, são os mais procurados. 'O público que mais nos procura para a aquisição da casa própria são aqueles casais com dois filhos e com renda que gira em torno de R$ 6 mil', revelou Walter.

'Ninguém quer pagar mais aluguel. É mais lucrativo você fazer um plano de financiamento e adequar ao seu orçamento. Hoje em dia os diversos bancos que tem essa linha de crédito deixam as prestações equiparadas ao preço de um aluguel', acrescentou Walter de Souza.

A vantagem apontada por Walter se reflete no preço médio do aluguel em Belém, que chega a custar em torno de R$ 300 o metro quadrado, em áreas mais nobres. Por essa razão, os que podem adquirem mais de um imóvel e procuram recuperar o dinheiro investido cobrando aluguéis. 'Se para comprar já é caro, imagina para alugar. Há aluguéis aí por Belém que pelo mesmo preço daria para morar diante da praia em qualquer cidade do Nordeste', criticou Jaci Colares.

Medida vai aproximar realização do sonho da casa própria

Segundo levantamento da Secretaria Municipal de Habitação, o déficit habitacional em Belém chega a ultrapassar 72 mil moradias. De olho nesse filão, as construtoras vêm multiplicando o número de edificações na Região Metropolitana de Belém tendo como principal alvo a classe média.

E para incrementar ainda mais o segmento, essa semana o Governo Federal lançou um programa para facilitar o sonho da casa própria ao trabalhador brasileiro.

De acordo com a medida, as famílias com rendimento mensal entre R$ 600 e R$ 2.075 (cinco salários mínimos) poderão se valer da 'carta-subsídio'. A iniciativa prevê que cerca de 12,5 milhões de brasileiros poderão se beneficiar e deixar o aluguel. 'O Governo sabe o que aquece o mercado.

A meta do Governo é atingir um crescimento de 4% esse ano, e o segmento imobiliário tem dado uma grande contruibuição no crescimento do país, movimentando a economia e gerando empregos diretos e indiretos', observou Jaci Colares.

A 'carta-subsídio' bancará boa parte dos juros cobrados nos financiamentos à baixa renda, que variam entre 4,5% e 5% ao ano além da Taxa Referencial (TR), de forma que as prestações, segundo simulações feitas com base no banco de dados da Caixa Econômica Federal, variem em torno de R$ 200 por mês. A parcela dos juros que as famílias deixarão de pagar será quitada junto aos bancos com recursos - a fundo perdido - do Orçamento Geral da União (OGU) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).