No Leblon, à luz de velas
Virou rotina em bairros como Leblon e Ipanema ficar à luz de velas. No último mês, houve ao todo no Rio de Janeiro nada menos que dezesseis apagões, além do blecaute que atingiu o país inteiro, no último dia 10. O mais extenso da série, o do dia 23, durou 23 horas, período em que 40 000 cariocas da Zona Sul permaneceram sem luz, o comércio fechou e o trânsito, na ausência de faróis, ficou mais caótico do que de costume. Considerando que os termômetros chegavam a 40 graus, restaurantes perderam seus estoques de comida e, sem ventilador ou ar-condicionado, os bairros atingidos se assemelhavam a saunas. A Light, distribuidora de energia na cidade, veio a público tentar explicar a sucessão de apagões. A luz teria faltado por uma carga excessiva sobre a rede de cabos subterrâneos encarregados do abastecimento de energia na Zona Sul – o que a chuva só fez piorar.
Existe um consenso de que essa é mesmo a razão. A questão é que a Light atribui o problema aos moradores, que nunca usaram tanto o ar-condicionado e demais aparatos eletrônicos. De fato, a demanda por energia aumentou. Mas o problema central é que não houve planejamento para lidar com essa eventualidade. Os seis cabos que levam luz aos 630 000 moradores da Zona Sul não são mais suficientes para lidar com a demanda e estão em mau estado de conservação. Falta investimento. “Em cinco anos, haverá uma expansão e melhoria da rede, e ela estará funcionando 100%”, promete Luis Alquéres, presidente da Light. Tomara. Até lá, é bom que quem mora na Zona Sul tenha em casa abanador e um bom estoque de velas.


