quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

MERCADO IMOBILIÁRIO RETOMA VOLUME DE VENDAS PRÉ-CRISE

Mercado imobiliário retoma volume de vendas pré-crise

Raquel Santos Rocha, 34, está duplamente feliz. Em outubro nasce sua primeira filha, Helena, fruto de seu casamento com Arley Agostoo Rocha. A outra boa notícia é que acaba de assinar com a Caixa Econômica Federal (CEF) o contrato de financiamento de sua primeira casa própria, em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte. “Moro em uma casa construída em cima do imóvel de minha mãe, no bairro Santa Mônica. Agora vou poder ter a minha própria moradia”, comemora.

O mercado imobiliário dá sinais de que a crise ficou mesmo para trás. Um dos termômetros que comprovam isso é a arrecadação da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) com o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), cobrado no ato da compra ou venda de casas, apartamentos, salas, lojas e galpões, que chegou a R$ 64,3 milhões no primeiro semestre de 2009.

De acordo com o presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e do Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Ariano Cavalcanti de Paula, antes da crise econômica mundial, que teve influências no Brasil e no mercado imobiliário brasileiro, eram realizadas cerca de 2.800 transações imobiliárias por mês na capital mineira. Em fevereiro deste ano, a insegurança do mercado fez com que o número caísse para perto de 1.700 transações. Em julho último, a prefeitura registrou cerca de 2.850 transações, variação de 67% na comparação com o mês de fevereiro.

“Isso demonstra que o setor já retomou o volume de negócios pré-crise”, disse Cavalcanti, ao antecipar os números que fazem parte da pesquisa mensal da entidade, feita sob encomenda pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead). O levantamento, segundo Cavalcanti, deve ser divulgado nos próximos 15 dias.

O especialista em mercado imobiliário Kênio de Souza Pereira lembra que no período de outubro de 2008 a março deste ano “houve um recuo dos investimentos em função da insegurança do mercado”. “A partir de 2005, o mercado imobiliário vinha se recuperando das perdas acumuladas nos anos de 1990. Com a crise, houve um recuo, mas agora a tendência é que o crescimento volte”, disse.

O empresário do setor da construção civil Teodomiro Diniz Camargos disse que a retomada das vendas aos níveis anteriores à crise econômica reflete a volta da confiança do consumidor brasileiro. “Tanto o investidor quanto o consumidor têm a perspectiva de que a crise não foi tão grande como imaginava”, disse ele. Teodomiro Diniz ressalta a importância das medidas adotadas pelo governo federal para alavancar a indústria da construção, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos materiais de construção. “Isso possibilitou uma estabilidade no preço do imóvel”, disse.

Outro fator que repercute de forma positiva foi a redução da taxa de juros, tanto nas linhas de financiamento da CEF quanto na taxa básica de juros, a Selic. Com os juros baixos, os investidores aplicam em imóveis em busca de mais rentabilidade. “O retorno com o imóvel alugado está mais atrativo e pode chegar a 0,7% ao mês”, disse.

Em Minas

Contratos. Minha Casa Minha Vida tem 54 empreendimentos em Minas, com 1.679 unidades contratadas. Já foram liberados R$ 80,7 milhões, e a meta é construir 88.480 unidades até 2010.

Fonte: O Tempo - MG